Gene DYXC1 associado à perturbação na aprendizagem

O gene DYXC1 pode ser um dos principais causadores da dislexia, uma perturbação da aprendizagem que afecta entre três e dez por cento da população mundial, concluíram investigadores da Universidade de Helsinque, Finlândia, e do Instituto Karolinska, na Suécia, que associam os problemas no funcionamento deste gene ao surgimento da perturbação. A principal conclusão dos cientistas é que “a dislexia é um problema genético complexo”.

A dislexia é a mais comum das perturbações da aprendizagem nas crianças e no meio escolar é um problema que se manifesta frequentemente, obrigando ao acompanhamento especial dos alunos em causa. Caracteriza-se pela dificuldade em reconhecer e ler palavras, mas em nada está relacionada com a inteligêncido paciente, sabendo-se que os disléxicos utilizam uma área diferente do cérebro para processar a informação.

A perturbação é sobretudo um problema do sexo masculino. Estudos de prevalência da dislexia evidenciam que entre 70 e 80 por cento dos disléxicos são homens, apesar de dados mais recentes apontarem para uma equiparação entre os dois sexos.

Até aqui sabia-se que a dislexia teria um caracter genético, porque é própria de determinadas famílias, mas a investigação dos cientistas suecos e finlandeses lançou nova luz sobre esta perturbação da aprendizagem. O objetivo era encontrar as diferenças genéticas que estão na origem da dislexia para chegar às suas causas e, a partir daí, ajudar os disléxicos a ultrapassarem o problema com mais facilidade.

A equipa liderada por Juha Kere centrou-se numa família cujo pai teve”profundas dificuldades em ler e escrever na escola” mas que hoje é um adulto empregado e cujos três filhos sofrem do mesmo problema. Depois, 20 famílias finlandesas sem qualquer relação entre si foram comparadas, tendo no seu seio 58 pessoas disléxicas e 61 sem qualquer problema de aprendizagem.

A família número 1 foi alvo de testes e detectou-se que o gene DYXC1 estava fendido e noutra família identificou-se um “sinal stop”, como descrevem os investigadores, no mesmo gene. A anomalia faz com que as células cerebrais produzam uma versão mais limitada da proteína do gene, única do género. Assim,”concluímos que o DYXC1 deve ser visto como um gene candidato (na origem) da dislexia de desenvolvimento”, escrevem os cientistas na “Proceedings of the National Academy of Sciences“, onde o estudo foi publicado.

Contudo, frisam, o gene não explicará, ao que tudo indica, todos os casos de dislexia, pois esta é uma deficiência complexa cujas características genéticas só agora começaram a ser estudadas. Mas se “mesmo um aumento modesto no risco” da perturbação vir a surgir é classificado como” interessante” pelos peritos.

Do gene sabe-se ainda que pode estar envolvido no controle do “stress” por parte das células, mas o DYXC1 tem ainda de ser alvo de estudos aprofundados para se apurar, concretamente, qual a sua função.

Fonte: Reuters, Publico.PT – Ciências 26-08-2003

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